terça-feira, 4 de junho de 2013

Tarde


Tarde...era tarde...
Atrás dos prédios,
    em fogo aceso,
um sentimento preso
desmaiava o dia.

Desmaiava o dia,
e no final da tarde
             seguinte
mais um entardecer.

Tarde...era tarde...

E não sei que triste
                  agonia
agonizava ao nascer,
e assim, de súbito
                    morria
para sobreviver.

Tarde...era tarde...
No pálido azul
          do entardecer.


A palavra "tarde" tem rico significado e foi utilizado em poesia por vários poetas para revelar um sentimento de morte, de término de um ciclo, de início de outro, de passagem, de um fluir (nascimento e morte). Há nela sempre - e isto é eterno - um sentimento preso de algo que não morre,  ou que morre a cada dia e que renasce. A nossa vida é assim, um contínuo fluir e que ao fluir não morre porque a passagem é eterna. Um rio será sempre um rio, apesar da mudança da paisagem e de suas próprias águas. Carlos Roberto Husek

3 comentários:

  1. Mas um rio jamais será o mesmo rio, pois basta um segundo para que as águas que ali estavam sejam substituídas por outras :) E assim são os pensamentos, os momentos, e a nossa própria essência. Permanecemos os mesmos - mas em eterna mutação. Em perene desfalecer e reviver.

    ResponderExcluir
  2. Mas um rio jamais será o mesmo rio, pois basta um segundo para que as águas que ali estavam sejam substituídas por outras :) E assim são os pensamentos, os momentos, e a nossa própria essência. Permanecemos os mesmos - mas em eterna mutação. Em perene desfalecer e reviver.

    ResponderExcluir
  3. Qual seria o oposto de tarde? Cedo?

    ResponderExcluir