segunda-feira, 29 de abril de 2013
Um pouco de Yu Xuanji (poetisa) e mais algumas considerações
A China produziu muitas poetisas. Uma delas, Yu Xuanji, viveu entre 844 e 869 a.C. (viveu apenas 26 anos), expressou a angústia feminina e fez uma poesia cheia de sensualidade. Foi concubina aos 16 anos de idade e depois tornou-se cortesã e finalmente monja taoísta. Mulher de vida autônoma e ligada à intelectualidade da época. Se ainda as mulheres, em várias partes do mundo, sofrem as consequências de uma posição social subalterna, na China, naquele período a.C, algumas se destacaram por sua independência e expressão intelectual, como Yu Xuanji. O poema abaixo, curto, como é da tradição da poesia chinesa, diz muito:
"Dizendo adeus"
"Eira nem beira, a água segue a si mesma
Nuvens vêm sem aviso, vão sem promessas
Longa é a primavera no Grande Rio
só, sem o par, nada um pato-mandarim."
O "Grande-Rio" é o famoso rio amarelo, o Yang-tse. Os "patos-mandarins" são os "yuan yang", "pássaros conhecidos por acasalarem de modo estável pela vida toda. Na poesia chinesa clássica, são metáfora recorrente do amor conjugal e da fidelidade" (informação tirada do livro "Poesia completa de Yu Xuanji, editado pela Unesp, de 2011).
Cabe um destaque sobre o fato de Yu Xuanji ter sido monja taoísta. Desse período, talvez o último de sua vida, não sabemos nada, mas lembramos que o taoísmo é a filosofia (pelo menos em parte) do não-agir (e ao fazer assim age plenamente e produz mais resultados). Por isso, a água representa bem esta filosofia. Há uma metáfora, neste sentido:
"O homem do bem supremo é como a água.
A água benéfica a tudo não é rival de nada.
Ela permanece nos baixios desprezados por todos.
Do Caminho ela está bem próxima.
Nada no mundo é mais flexível e mais fraco do que a água.
Mas para atacar o duro e o forte nada a sobrepuja.
nada pode tomar seu lugar.
Que a fraqueza vence a força
E a flexibilidade vence a dureza
Não há ninguém sob o Céu que não o saiba,
Embora ninguém o possa praticar."
A água tem multiplicidade de formas, acomoda-se em qualquer ambiente; tendo espaço flui, caminha, contorna obstáculos e dobra os materiais mais duros. Tudo isso com uma aparência de fraqueza. Salvo proporções excepcionais e insuflada por outras forças da natureza, enxergamos a água, quase sempre com suavidade e beleza (no entanto, ela é força total). É o simbolo do feminino: o domínio pela suavidade, pelo convencimento, pela delicadeza, pela perseverança, pelo fluir contornando obstáculos. Vencer sem brigar, abater sem utilizar da força física, neutralizar a violência antes de com ela competir, convencer sorrindo (a isso tudo também chamamos de inteligência). As mulheres modernas ainda possuem tais características ou resolverem disputar cada pedaço do poder social com garras e lâminas afiadas, punhos de aço e olhar de fogo?
Em outras palavras: não-agir, e assim agir, imperceptivelmente, sem deixar mágoas, sem deixar rastros. Nós homens, por certo (em sua grande maioria), nunca tivemos essa sensibilidade. O mundo de hoje é o mundo do agir, sem tempo, em desespero, em corrida, em fúria. Prevalece o aço, o ferro, o cimento, e sobre eles se ergue o edifício da civilização. Nos igualamos, homens e mulheres, montados em cavalos de aço, prontos para a disputa. Para os inconformados haveria sentido em dizer: "Quero água. tenho sede!" Carlos Roberto Husek
Algumas considerações
A Literatura chinesa passou por um grande período de ostracismo, na época de Mao, porque somente era admitida a publicação de loas ao Governo (notícias favoráveis e elogiosas) e de doutrinação (interessante notar que os que se dizem contra o capitalismo não permitem nenhuma liberdade de pensamento e de imprensa; é o exemplo de Cuba, Bolívia, Irã, Síria, Coreia do Norte e outros - mas deixemos de lado tais considerações). Como explanava a Literatura chinesa, apesar de rica e com inspirados autores, viu-se posta à margem das relaações sociais e políticas, salvo se o escritor resolvesse elogiar o governo e promover o convencimento de que as coisas andavam como deviam andar. A literatura estrangeira (Kafka, Garcia Marquez e outros) entrava clandestinamente, sem poder de influenciar os jovens.
Pois bem, apesar de tudo isso, muitos autores chineses são atualmente editados e seus romances e contos correm o mundo, chegando ao Prêmio Nobel, em 2000, com Gao Xingjian, "Montanha da Alma", (traduzido no Brasil, pela Alfaguara).
Incrível que o Brasil, embora tenha uma literatura pujante e grandes escritores (Machado de Assis, Guimarães Rosa, Ligia fagundes Telles, Vinicius de Moraes, Drummond, Clarice Linspector, Rachel de Queiroz), nunca tenha alçado a este patamar literário..! Independentemente da política que permeia qualquer premiação, é certo que a grande maioria dos vencedores literários, aconsagrados pelo referido Prêmio, se não foram os melhores de sua época, provavelmente foram escritores de ponta. A verdade é que, nossos romancistas, poetas, contistas, cronistas, novelistas) ainda são desconhecidos do grande público; talvez, até do publico interno..! Um povo que não está acostumado a ler, também não está acostumado a criar. Temos bons criadores, mas em número reduzido. Agora, na era da internet, do aiped e do celular, a tendência é a de ler cada vez menos. Há uma procura pela leiteratura fácil, mastigável, sem cor definida, simples, objetiva, prática (auto-ajuda). O escritor brasileiro que mais vende na atualidade é, sem dúvida, Paulo Coelho. Encontrei um livro dele ( o título não me lembro) em uma livraria na Holanda..! Todos que escrevem merecem meu apreço......
Vamos ficar, por enquanto, com um poeta chinês, Li Po, também singelo, antigo, não midiático:
"Garça branca"
"Esse grande floco de neve
é uma garça branca que acaba de pousar no lago azul.
Imóvel, na extremidade de um banco de areia,
a garça branca
observa o inverno."
Carlos Roberto Husek.
segunda-feira, 22 de abril de 2013
Continuando o nada do nada
Esta é uma radiografia
do nada.
Em que se enxergam os corpos
já endurecidos e frios,
pela morte.
A vida nada tem a haver
com o corpo físico.
Está além, muito além.
Lá no fundo dos olhos,
dos olhos de uma criança,
dos olhos de um jovem,
observa-se;
quem for um privilegiado
observador,
a verdade.
A verdade estampada, presa,
no fundo da íris,
a verdade estampada, presa,
no fundo do corpo,
a verdade estampada, presa,
no fundo da célula,
a verdade estampada, presa,
no fundo de cada camada
de pele,
a verdade estampada, presa,
entre os tecidos moles,
a verdade estampada, presa,
entre os ossos,
a verdade estampada, presa,
no sangue que circula,
a verdade estampada, presa,
entre as sinapses do cérebro,
a verdade estampada, presa,
nos interstícios faiscantes
dos neurônios,
a verdade estampada, presa,
entre os olhos, janelas,
e o mundo que deles se vê,
a verdade estampada, presa,
no citoplasma, no miocôndrio,
no íntimo de toda matéria,
que se deduz no nada.
Por mais que se reparta
e se biparta, e se fatie
o corpo,
e se triturem seus ossos,
e se triturem seus músculos,
e se dividam e subdividam
suas partes,
quando restar
uma imperceptível sobra,
ali, no pó, no mineral,
na réstia,
do que foi tido como vida,
haverá um nada...
................................................
Situamo-nos em algum lugar?
Não sou este coração que pulsa,
não sou este figado que produz
enzimas,
não sou este estômago
que digere os alimentos,
não sou este pulmão
que absorve e expele o ar,
não sou estas pernas
que andam apressadas,
não sou estes braços e mãos,
que seguram os pesos,
não sou este cabelo,
este bigode,
esta gravata.
...O que sou?
Por ora, o conjunto de tudo,
e por certo o que está no âmago
das coisas.
Uma verdade desconhecida.
ignorada, perdida
entre as camadas ilusórias
de variadas histórias.
................................................
Aqui, apresento-me: Solrac,
ou um representante
da representação
que represento,
na procuração
que me foi dada.
Carlos Roberto Husek
sábado, 20 de abril de 2013
Continuando o Nada
No vazio do nada...nada.
Palavras vazias são nada,
corpos mineralizados,
silenciados
nas suas carcaças.
Palavras-corpos,
em que silencia a fala,
no vazio da noite,
no vazio da sala.
Rumores, enganos,
vocábulos ciganos,
criam-se em suas raízes,
dispersam-se
em cicatrizes.
Versos dissonantes
e letras que fecundam
significados,
silenciosos, silenciados,
nati-mortos no parto,
no vazio da noite,
no vazio do quarto.
As pessoas...desaparecem,
mortas ou vivas,
umas descem no caixão
de madeira escura
ou de madeira clara,
enterram-se nos campos,
engavetam-se nas campas,
ou no fogo
dos crematórios
são queimadas,
e após espalham-se
em cinzas, desfiguradas;
outras, se evaporam
no tempo,
na fotografia,
na memória,
apagam-se-lhe os traços,
a cor, a voz, os braços.
e ficam no imaginário,
que também se desfaz
com o tempo.
As pessoas...desaparecem,
mortas ou vivas,
e ficam repletas,
na incompletude
de quem as invoca.
As pessoas sem rosto,
sem celular,
sem endereço,
sem corpo,
semi-vivas,
semi-mortas,
são recriadas,
para se lhes dar
uma nova forma
uma nova alma
e espírito,
um novo som,
uma nova cor,
um novo grito.
...............................
Palavras e pessoas
ocas em suas verdades,
são corpos
que se mineralizam
e com o tempo
acomodam-se
em suas campas
de ar
e de circunstância,
nati-mortas no parto
de suas esperanças,
no vazio da noite,
no vazio do quarto,
no vazio do nada,
espraiam-se
desconstituídas,
em debandada
e se fixam nas paredes,
nas portas, nas ruas,
nas calçadas.
................................
Nos levam a pele,
nos trituram os ossos,
nos amolecem os músculos,
nos entorpecem os nervos,
No fim...também,
como tudo,
desaparecemos,
e preenchemos mudos,
as palavras vazias,
de cada noite,
de cada dia.
Carlos Roberto Husek
sexta-feira, 19 de abril de 2013
Nada
Horizonte
amarelo,
um poente,
um deserto.
Palavras
perdidas,
solitárias,
esquecidas.
.......................
desacostumadas
da vida.
Carlos Roberto Husek
terça-feira, 16 de abril de 2013
Palavras jogadas e indisciplinadas
Na página 1543, do vol.III, da História da Literatura Ocidental, de Otto Maria Capeaux, deixei uma folha de papel com uns versos, escritos a tinta azul, sem título. Quando os escrevi? Não sei, mas podem ser muito antigos. Aí estão:
No vazio
as palavras perdem
o conteúdo
e se dissipam
em letras.
No vazio
só o silêncio fala
no vazio da sala.
No vazio da noite
há rumores, enganos,
vocábulos ciganos,
que não criam
raízes,
e se dispersam
em cicatrizes,
e deles nascem
verbos dissonantes,
em trabalhoso parto.
No vazio da noite,
no vazio do quarto.
Por curiosidade olhei o que estava escrito na página apontada do referido livro, e nela estava escrito que: "Três poetas ingleses dominaram a literatura européia da primeira metade do século XIX: Shakespeare, Scott e Byron. A influência da Shakespeare foi mais permanente e a de Scott mais extensa, sem exagero, que nunca um poeta impressionou tanto os seus contemporâneos como Lord excêntrico. Byron apareceu como um meteoro; e desapareceu como um meteoro. Em certo dia do ano de 1812, Byron, até então um poetastro de versos classicistas, maltratado pela crítica, 'acordou e encontrou-se famoso':"
O que tem a haver o referido texto com o poema guardado? Nada, absolutamente nada, a não ser pelo fato que se trata de um capítulo sobre o Romantismo e os versos acima tem um quê no velho estilo romântico. O último poeta citado por Carpeux, Byron, foi um incorrigível romântico, um romântico louco, um louco de temperamento incontrolável, disposto para a briga (seja ela qual for, seja qual for o motivo), selvagem, "uma alma demasiado delicada e cheia de amargura, num corpo por demais ávido de prazer - eis aí o trágico paradoxo da personalidade de Byron" (Vidas de Grandes Poetas, de Henry Thomas e Dana Lee Thomas, Editora Globo). Não há no mundo moderno possibilidade de rompantes histéricos, românticos, desvairados, no sentido do desforço psicológico ou físico, mas Byron, no fim, era um crente da palavra (todos somos - aí está a verdadeira loucura...), e escreveu: "Porque as palavras são coisas; e uma pequena gota de tinta/ Ao cair, como orvalho, sobre uma idéia, produz/ Aquilo que faz com que milhares de pessoas, talvez milhões pensem.". Nós que acreditamos nisso, temos uma espécie de romantismo embutido, crente na transformação pela palavra; semente que cai no espírito e faz nascer um jardim.
No vazio da noite
no vazio do quarto.
Verbos dissonantes
em trabalhoso parto.
Muitas poderiam ser as variáveis:
No vazio dissonante
do quarto,
No parto da noite,
verbos desatam
como açoites,
e desatam nós
de vocábulos,
que saem correndo,
em disparada,
como cavalos
selvagens e bravos.
As palavras não são disciplinadas porque informadas pelo espírito que é livre, mas podem ser equívocas e contornarem os fatos. Freud explica. Carlos Roberto Husek.
domingo, 14 de abril de 2013
Um pouco de Jorge Luis Borges
Difícil falar de Borges. Por onde começar? Borges viveu seu mundo particular (contos fantásticos - cuja realidade é posta de lado e sobram as coisas do sonho, do mundo anímico, daquele mundo sem a lógica da vida racional), como aquele conto que escreve sobre um encontro com ele mesmo, num banco de jardim..! Agora estou esquecido do nome, mas em outra postagem vou informar. Afinal, quando se escreve sobre alguém, se a escrita for com a alma, entra-se no personagem. Torno-me Borges neste momento e não sei bem se o encontro existiu... O dele com ele mesmo, existiu, pelo menos no papel. Eu, estou à minha procura. Não é de agora... Tenho uma vaga certeza do que sou (assim, se é vaga, na verdade, não tenho certeza nenhuma). Fico um pouco borgeniano, ou pessoano (com os meus heterônimos, minhas personalidades). Todo aquele que se propõe a escrever (bem ou mal, com técnica ou não, com arte ou com nenhuma arte - meu caso...), se faz disso costume acaba por viver uma fantasia. Voltemos a Borges. Viveu quase cego boa parte de sua vida e em cegueira total uma grande parte. A vivência de seu mundo interior em confronto com o mundo das ruas, talvez tenha produzido o fantástico de seus contos e de algumas de suas poesias. Claro está, que não estava afastado da realidade. Não. Ao contrário. Dava aulas de Literatura Inglesa e era ligado nos acontecimentos, mas voltava-se para o seu próprio interior. Através da íris, janelas fechadas, vislumbrava uma verdade própria. Acho que os poetas e escritores, em geral, são eternos pacientes de eventuais analistas, ou no mínimo de teorias psicológicas e psicanalíticas, porque são exemplos vivos de que o ser se subdivide, se transforma, se teatraliza, e em determinados momentos pode vir a tarnsformar-se completamente e parecer aquilo não é, ou ser aquilo que parece ser. O artista da palavra (ou que assim se pensa) encarna personagens, por mais que descreva de forma crua a realidade. Todo escritor, principalmente, todo poeta é um fantasista ("O poeta é um fingidor/finge tão completamente/que chega a fingir que é dor/a dor que deveras sente" - Pessoa). Disse Borges, "realisticamente" sobre as ruas de Buenos Aires, através de sua visão interior:
As ruas
"As ruas de Buenos Aires
já são minhas entranhas.
Não as ávidas ruas,
incômodas de turba e de agitação,
mas as ruas entendiadas do bairro,
quase invisíveis de tão habituais,
enternecidas de penumbra e de ocaso
e aquelas mais longíquas
privadas de árvores piedosas
onde austeras casinhas apenas se aventuram,
abrumadas por imortais distâncias,
a perder-se na profunda visão
de céu e de planura.
São para o solitário uma promessa
porque milhares de almas singulares as povoam,
únicas ante Deus e no tempo
e sem dúvida preciosas.
Para o Oeste, o Norte e o Sul
se desfraldaram - e são também a pátria - as ruas;
oxalá nos versos que traço
estejam essas bandeiras."
Apesar das descrições sobre as ruas de Buenos Aires, Borges utiliza de vocábulos que lhe são reais, mas que para as pessoas que só enxergam o cimento, as árvores, os carros, os postes, as placas e etc., são licenças poéticas sem qualquer significado, como: as ruas são minhas entranhas; ruas entendiadas do bairro; ruas quase invisíveis de tão habituais; ruas enternecidas de penumbra e de ocaso; ruas privadas de árvores piedosas; ruas de austeras casinhas; ruas abrumadas por imortais distâncias... Pensando bem...Fechando os olhos...Também temos ruas assim. Ruas que nos falam e nas quais podemos andar por uma eternidade: portões, casas, árvores, poças de água, pedras, telhados. Alguém ainda olha para as ruas ou somente consegue vislumbrar as poucas letras e números do celular? No meu livro O Cavalo da Escrita, lançado em 2005, tive uma sensação diferente do cotidiano, mas não atípica, porque a tenho quase sempre ao andar por algumas ruas (não me lembro o bairro) e escrevi:
Retiro
Gosto de ver casas antigas
em ruas despreparadas,
periféricas, esquecidas,
abaixo do nível das calçadas.
Tornam-se mais tristes
quando pelas chuvas lavadas.
Gosto de ver casas antigas
em ruas desmotivadas.
..............................................
No meu espírito há também
casas assim
e um número infinito
de ruas insipientes
e de caminhos sem fim.
Por certo, não estava andando com um celular ligado... Mas, portava um bloco de papel e uma caneta e parei para escrever (acho que também não deve ser bom fazer isso... - nos dias de hoje poderia ser assaltado - no caso só me levariam o bloco e alguns trocados). Para quem não conhece ( porque já me perguntaram) "insipientes" aqui quer dizer ignorantes (ruas ignorantes, insensatas, imprudentes...), e não "incipientes" (que começa, que princípia). Minhas ruas, aquelas em que andei ( e que ando, às vezes sem sair do lugar) não começam, não terminam, ignoram-se e, talvez, me ignorem, embora estejam dentro de mim... É isso..! Carlos Roberto Husek.
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